Em Bambino a Roma, Chico Buarque recria sua infância em Roma misturando memória e invenção, compondo um espaço narrativo que combina emoção, história e imaginação.
A neuroarquitetura trabalha de modo semelhante: entende que os espaços físicos não são neutros, mas sim construções que ativam memórias, emoções e percepções.

Assim como o narrador “Francesco” dá nova forma às recordações da infância com humor e lirismo, a neuroarquitetura propõe ambientes que estimulam a criatividade, a sensação de pertencimento e o bem-estar — unindo estética e afeto.

Já o design, ao pensar a relação entre função, forma e experiência, dialoga com o livro no sentido de organizar fragmentos de lembranças e contextos históricos em uma narrativa coerente e sensível.
Assim como um projeto de design dá significado aos espaços por meio de cores, texturas e fluxos, Chico transforma episódios pessoais em um “projeto literário” que ultrapassa a intimidade e se conecta ao coletivo, inserindo sua vivência individual no contexto político e cultural do pós-guerra.

Ambos — livro, neuroarquitetura e design — buscam dar forma ao invisível, seja à memória, seja à emoção, criando experiências que tocam tanto o indivíduo quanto a coletividade.

É nessa mesma perspectiva que desenvolvo meu trabalho como designer de interiores: procuro transformar sonhos em espaços reais, criando ambientes que não apenas atendem às necessidades práticas dos clientes, mas também despertam emoções, memórias e sensações, tornando-se parte viva de suas histórias.

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